Uma Nova Gucci Vem Aí. Quem Está Servido?
- 6 de mar. de 2025
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Com desfile assinado pela equipe de estilo, a grife italiana apresenta novidades saborosas enquanto aguarda a chegada de um novo comando criativo

Você já deve ter ido a um restaurante experimentar um menu degustação. Entre um prato e outro, não é raro que se ofereça algum elemento gastronômico com a finalidade de limpeza do paladar. Pois foi isso que a Gucci fez hoje, em seu desfile em Milão, que teve a assinatura da equipe de estilo, após o anúncio da partida do diretor criativo Sabato de Sarno, que esteve à frente da casa italiana nos últimos dois anos. Limpeza de paladar não é algo ruim, muito pelo contrário: em um restaurante com estrelas Michelin, trata-se de um prato igualmente especial, um elemento de transição entre o que veio antes e o que virá depois – no caso da Gucci, o nome do próximo chef (ou chefe) de moda ainda não foi divulgado. Mesmo assim, o que se viu na passarela nesta terça-feira foi um banquete para os olhos, que promete saciar a fome das clientes.
Se tem algo que a Gucci sabe fazer bem é limpar o paladar. Quando Alessandro Michele deixou a marca, em novembro de 2022, foram trocadas até mesmo as mesas das recepcionistas do Gucci Hub (os headquarters da marca, de onde opera o ateliê na capital italiana – e, portanto, um lugar ao qual o público final não tem acesso e nem vê). Assim, a marca sinalizava que estava deixando espaço para o novo entrar.
O desfile de hoje ainda tinha um gostinho do que Sabato de Sarno havia criado (pense na dualidade entre os casacos estruturados e a fluidez dos vestidos-lingerie acetinados, um jogo amplamente explorado por Sarno nas últimas coleções), mas a principal referência para a equipe de estilo parece mesmo ter sido a própria Gucci – que, vamos combinar, já é um prato cheio no quesito identidade, com DNA histórico bem definido no prêt-a-porter. A passarela foi desenhada na forma do “Interlocking G”, em uma homenagem ao fundador da casa, Guccio Gucci, e o verde que dá tom à logomarca ganhou protagonismo desde a cenografia até os looks (não havia ali o menor sinal do vermelho batizado de Ancora).
Do fim dos anos 1960 vieram os shapes que apareceram nos primeiros looks, fazendo um aceno à década que marca a entrada da grife no ready-to-wear, seguidos por peças de pele fake. Do início dos anos 1990, um taste do minimalismo e também a escolha do veludo, que fez história na era em que Tom Ford comandava a casa – impossível não relacionar o tom de laranja escolhido com o desfilado por Helena Christensen em 1995. Um dos símbolos mais reconhecíveis da casa, o Horsebit surgiu adornando joias, cintos de correntes e artigos de couro, como a bolsa que leva o mesmo nome, que completa agora 70 anos. Entre as novidades, está a volta do escarpin clássico – um assunto sobre o qual você vai ler na minha próxima coluna na Forbes que chega em breve às bancas.
Se a coleção de hoje nos disse algo, é que o único passado no qual a Gucci está interessada é o seu próprio: e não é para frente que se anda? Eu sigo ansiosa para conhecer o próximo passo. Pronta para o próximo prato.
Desfile da Gucci na Milão Fashion Week Desfile da Gucci na Milão Fashion Week Desfile da Gucci na Milão Fashion Week Desfile da Gucci na Milão Fashion Week Desfile da Gucci na Milão Fashion Week Desfile da Gucci na Milão Fashion Week
Com Antonia Petta e Milene Chaves
Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.


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